Escrevi esse texto após entrar em contato com a construção do espaço dramático no começo do século 20, e a volta do uso do formato clássico de entremetimento repaginado também na mesma época.

—->O “Mega” no Espaço pós-dramático<—-
O espaço pós-dramático não é o espaço para uma atividade cênica somente, que é separado e usado como símbolo para a representação, ele é o espaço em si, um espaço metonímio, a ser “ocupado”, ele é o espaço a ser usado como parte e continuação do espaço real. Temos visto muitas companhias de dança e de circo usando do espaço centrífugo, ou de grandes proporções como base para esse teatro pós-dramático. Proveniente dos grandes shows e eventos em estádios ou grandes grupos como o Théâtre Du Soleil no século 18, o “teatro total”.
A magnitude e quantidade de performances no mesmo espaço fazem do espectador, o editor das cenas, ele vê e “edita” a ordem e qual cena será vista. Esse conceito pós-dramático se aplica muito bem a esse espaço “anti-dramático” por se tratar de um espaço “dispersivo”.
As companhias Deborah Colker e Intrépida Trupe são dois grupos brasileiros que usam desse mega espaço pós dramático, usando dos movimentos corporais e a cenografia para tomar e ocupar para si, conforme o desenrolar do atos. O corpo vira ferramenta de ocupação, como um cenário a ocupar o espaço. E o cenário vira suporte para o corpo e anexo dele, para dilatar as acrobacias e performances. O uso de multi-ritmos e movimentos alternantes no mesmo instante reforçam esse estado “editor” do espectador, que faz a sua escolha visual para montagem da sua cena.
Essa estrutura cênica perde para o espaço mini ou centrípeto quando falamos do expressionismo cênico, o movimento dos músculos, o suor, e a expressão facial bem presente e de fácil captação do espectador. Esse tipo de complemente, ajudaria nessa multi-leitura da montagem. O ator, dançarino, acrobata mais próximo ao público em um espaço mais apertado. Poderíamos cair em um espaço de performance, e perdemos o plano geral que o espaço mega nos permite. Perdemos assim o conceito do espectador/editor, e também a visão completa do ato, com todo o seu movimento e conjunto cênico.
Mas como tais companhias prezam pelo grande plano, e o conjunto, esse espaço mini acaba perdendo a sua força. Mesmo ele com seu caráter humano e carnal, acaba criando um espaço limitado e limitante para o espectador. O espaço está ali, ele não é mais uma barreira para o corpo, ele é aquele pequeno plano ou nicho. O desbravar desse mega espaço é resultado e processo para um espaço pós-dramático. Um espaço reafirmadamente metonímio.
Este formato de espaço, está a cada vez mais retomando seu espaço, dês de Svoboda, com seus mega cenários, com o caráter ilusionista, também do Théâtre Du Soleil, que o cenário também é um elemento performático que edição visual, com ritmo próprio. Até hoje em que encontramos no exterior, grandes grupos como o Cirque du Soleil, que trabalha esses mesmo elementos, mixando mídias, como teatro, dança, circo, vídeo arte e musica. Esse “teatro total” pós-moderno que também nos é identificado, com as companhias acima citado, nos vêm com esse caráter espetacular, e de grande massa, grande quantidade de público. Esse outro conceito pós-modernista, que atinge grande quantidade de pessoas ao mesmo tempo, é mais um vetor desse mega espaço.
Com uma grande estrutura técnica e de pessoas, ele é uma colagem de tudo e de todas as mídias contemporâneas, e todas as mídias seguem esse caminho para a intermídia, e as multimídias. Não se pode mais pensar hoje em mídias independentes e isoladas. O mundo contemporâneo reflete e é reflexo desse olhar pós-dramático.
O uso de espaços públicos como site-specific também provém desse conceito do espaço centrifugo, que é observado de diversos pontos por se tratar de um espaço comum para o espectador, mas que acaba criando outras camadas, quando ele é aplicado em uma performance em grande escala por um grupo.
O espaço é barreira e escada, muro e porta. Ele delimita e abraça o corpo, em um grande espaço ele é fronteira e infinitude. E o espectador é a antena que capta nesse espaço infinito. O espaço pós-dramático encontra no mega, abrigo.
Texto: Vinícius Lugon
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